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1º dia - Departamento do Lot - França

Morando novamente em Paris por alguns meses em 2012, ficamos super empolgados em visitar uma pequena cidade em especial, depois de vermos uma foto no blog Pedalando em Paris. A imagem de Rocamadour nos impressionou tanto, que pensamos que deveríamos aproveitar a oportunidade de estar "perto", na França, e ir pessoalmente conferir o local.


Até começar a descrever esta viagem aqui no blog não sabia como chamar a região onde estivemos, pois ela (feliz ou infelizmente) não faz parte dos roteiros mais badalados para viagens de carro na Europa. Mas se você quiser uma dica de um roteiro muito bacana (que não perde em nada para um circuito de carro pela Toscana, na Itália, ou mesmo na Provença, sul da França), aproveite aqui algumas deixas... há muito mais por desbravar por lá do que conseguimos realizar.

Por fim, resolvi chamar esta viagem de Departamento do Lot (que tem esse nome por causa do rio Lot), pois estivemos na maior parte do tempo dentro deste estado francês. Pensei também em dar o nome de Parc naturel régional des Causses du Quercy, pelo fato desse parque ocupar boa parte do estado de Lot (que estão dentro da Região do Midi Pyrénées), mas vendo mapas, percebi que estivemos em alguns lugares que não estão situados no parque "oficialmente", mas se enquadram dentro do Vallée de la Dordogne. Bom, ficam estas duas dicas de pesquisa: http://www.parc-causses-du-quercy.fr e http://www.vallee-de-la-dordogne.fr .


1º dia - relato de viagem

Decidimos ir de Paris até Rocamadour. Começamos a pesquisar passagem de trem pois vimos que seriam cerca de 450 km até lá, então pensamos em ir de trem e lá alugar um carro pra percorrer a região. Percebemos que para Rocamadour teríamos que trocar de trem, sendo assim, decidimos ir até uma cidade maior onde não precisássemos fazer conexão e ali alugar um carro. A cidade onde deveríamos fazer a conexão de trem seria em Brive-la-Galliard. Então compramos o trem até lá e reservamos um carro com a Avis.

Decidimos fazer a carteirinha Enfant + da SNCF que nos oferecia algumas vantagens que achamos que compensaria os 71 euros investidos. Como iríamos fazer mais viagens de trem pela França, o investimento se pagaria com certeza, agregando maior conforto e nossas viagens. Com a carteirinha, a criança até 4 anos, quando viaja tem direito a um assento gratuito para si e possibilita descontos na passagem de trem para até 4 adultos (não precisam ser parentes da criança) de 25 a 50% no valor das passagens nos trens Intercités e TGV. Além disso, por convênio com a Avis, na locação de carro na ocasião da viagem, dá direito a aluguel gratuito da cadeirinha além de um desconto nas diárias. A SNCF oferece alguns trens com vagão especial para pessoas acompanhadas de crianças, que pudemos usufruir na viagem de volta.
Trem (3 assentos) = 60 euros ida
Carro = 144 euros + 10 euros de GPS por dia (4 diárias)

Calculamos o tempo pra chegar de metrô até a Gare d'Auterlitz, mas acabamos demorando mais do que calculamos caminhando até a estação de metrô. Resultado: desembarcamos na plataforma às 8h54. Nosso trem era às 8h58. Não sabíamos nem como ir da plataforma do metrô até a estação de trem, que na realidade, viemos a descobrir, é colada (achamos que era integrado), mas é preciso sair e entrar novamente na estação. Corremos feito loucos, chovia na hora, pegamos chuva, ainda precisávamos descobrir qual a plataforma do trem pelo painel eletrônico, validar os bilhetes antes do embarque. E já ouviram falar que o trem não espera? Pura verdade. Com 4 minutos pra fazer tudo isso, nosso destino já estava praticamente traçado. Exceto... se o trem estiver vindo de outra cidade e atrasar. Nossa salvação! O trem teve um atraso de quase 1 hora, azar de uns, sorte de outros...


Pesquisamos hotéis em Rocamadour e percebemos que há poucas ofertas na cidade. Começamos então a procurar por Chambres d'Hôtes, que é um tipo de hospedagem semelhante aos Beds & Breakfest, ou seja, são como pousadas domiciliares, onde você se hospeda na casa de uma pessoa. A estrutura normalmente é de uma pousada: quarto com banheiro, café da manhã, muitas vezes entrada independente, algum ambiente de estar comum (sala, biblioteca, varia muito). São estabelecimentos de atividade turística que deve atender várias normas da legislação, como por exemplo, ter o limite máximo de receber 15 pessoas, o que torna sua estadia muita mais pessoal e inserida na localidade, no contato direto com moradores. Uma das grandes vantagens, além de ter contato atencioso, é poder ficar em áreas muitas vezes consideradas rurais, em contato grande com a natureza, e por isso, ter também espaço gratuito de estacionamento. Além de preços normalmente menores que hotéis, o café da manhã é incluído da diária - o que normalmente não acontece em hotéis na França. Procurando aleatoriamente na internet, nos deparamos com o site do Le Caspitanlocalizado num pequenino vilarejo chamado Lacave, há 11 km de Rocamadour. Como pretendíamos passear por vários lugares na região, estava perfeito. Pagamos 55 euros a diárias, com café da manhã e berço gratuito. Não aceita cartões de crédito, check-in a partir das 16h e check-out até às 11h - pra nós estes horários estavam perfeitos. Anne-Marie fala além do francês, claro, inglês e espanhol. Nos deu muitas dicas de vilarejos bacanas na região.


Depois de 5 horas de trem até Brive (das quais Joaquim dormiu mais de 4), pegamos o carro e vimos que ainda estava cedo, pois havíamos passado a previsão de chegarmos as 16h30 na pousada. Fomos então até o centro de Brive, no Office de Tourisme pra pegar informações e mapas da região. Dirigimos por cerca de 45 km, cerca de 50 minutos até Lacave. Optamos por evitar pedágio da A20 e pegar estradas secundárias, que tem termos de tempo e quilometragem, dava praticamente no mesmo. Mas em questão de passeio e paisagem, ganharíamos muito.




Mapa indica a localização de Brive (A), Lacave (B) e Rocamadour (C)

Quase chegando a Lacave, passamos por uma ponte e tivemos que dar meia volta pra ver novamente um castelo na margem do rio. Paramos, demos uma caminhadinha pelo mato pra ver mais de perto.





Recém instalados em um quarto super amplo com banheiro enorme, entramos no carro e reprogramamos o GPS para Rocamadour. Mesmo com muitas placas indicando as vilas e cidades da região e informando a distância, sempre saímos com o GPS que, embora às vezes ofereça opções de caminho com alguns erros (mapas desatualizados, obras inesperadas na pista, etc), ele sempre oferece uma segurança de chegarmos em algum lugar e nos deixa mais livres para nos perdermos por qualquer estradinha que nos atraia.



 

Chegamos em Rocamadour rapidamente depois de percorrer estradinhas bucólicas (sempre asfaltadas), cercadas de muito verde e flores na beira da estrada, de margaridinhas, a dentes-de-leão amarelos e papoulas vermelhas. O Office de Tourisme já estava fechado então teríamos que voltar lá no outro dia pra pegar mapas e folhetos. Aproveitamos então pra umas fotos na Chapelle et Hôpital Saint-Jean que fica em frente, na parte alta de Rocamadour.




Fomos a um mercado comprar um estoque de água e algum lanche. O sol já começava a se pôr (nessa época, começo de maio, escurece plenamente depois das 21h30 - ainda eram 19h) deixando a cidade de Rocamadour com sombra. Como era nossa visita preliminar na cidade, sabíamos que deveríamos voltar de manhã pra ter uma boa iluminação frontal para as fotos.


 






Decidimos percorrer a cidade pela estrada de baixo até chegar ao outro lado do vale e assim ter visto Rocamadour de todos os ângulos externos. 



Muitas fotos e de repente vimos um balão sendo inflado no campo em frente a cidade.Fotos, filmagens, ficamos super empolgados, desejando ser nós a voarmos pela região.

 

Deixamos o carro no estacionamento debaixo e subimos algumas escadas até dentro da cidade. Dia findando, a rua principal já estava meio vazia. É um lugar mesmo impressionante, uma viagem no tempo, e uma experiência de verticalidade e vertigem arquitetural.


Porta de Salomão. Curti a cabine telefônica na torre...

Caminhando pela cidade quase vazia, as escadas e portas nos chamavam. Subimos a Escada dos peregrinos com seus 216 degraus... Carregamos nosso filho até onde deu... A foto abaixo tiramos depois de entrar nesta portinha. Molduras da própria arquitetura!




Por algum motivo se diz que Rocamadour é um local de vertigens.
 Mortos de fome, paramos em um restaurante que tem vista para a cidade. A noite caiu e a cidade se iluminou - lindo demais. Aline escolheu um crepe e eu um prato com produtos típicos da região, como o foies gras, salada com moela de pato e nozes. E vinho, claro.

 
Chegamos no hotel exaustos. Quarto muito limpo, camas super confortáveis, banho quentinho. Durante o dia a temperatura chegou a 35 graus. Escolhemos uma boa época e pegamos um clima muito bom.




4 comentários:

  1. Adorei!
    você acha que o carro é essencial ou viajantes "desmotorizados" como eu conseguem aproveitar?

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  2. Pra algumas localidades rola ir sem carro. mas para outras acho q não, pois são bem pequenas, tanto que em algumas vc ficar 30 ou 45 minutos as vezes... Mas de bicicleta vc vai, pois alguns vilarejos fica 5, 8 10 ou 15km um do outro!

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  3. A internet trouxe muitas vantagens e, uma delas é ao procurarmos aquilo que queremos muitas vezes fazemos outras descobertas que nos impressionam. Foi o que aconteceu. Graças ao seu blog descobri mais um sítio muito bonito que tenho que conhecer.

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  4. olha amo essa região , Rocamadour realmente é magnifica , tambem amei a cabine telefonica.

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